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Mesa de sofá posta para o jantar no Iguazu Athens

Brasil em Atenas

Café brasileiro, e por que ele é coado

A Grécia é um país de espresso. O Brasil é um país de coado. O que o coado faz que uma máquina não faz, e por que ele está num cardápio em Atenas.

A Grécia bebe seu café de dois jeitos e tem muita certeza dos dois. Tem o café grego, feito no briki, e tem o espresso em todas as formas, que no verão significa um freddo em quase toda mão de quase toda rua. Café coado quase não existe. É a coisa da sala de café da manhã do hotel que ninguém escolhe.

Então a primeira linha da nossa lista de cafés é uma pequena provocação. Café coado brasileiro, acima do café grego e do espresso, num cardápio em Atenas. Eis por que ele está ali e por que vale os dois minutos que leva para ficar pronto.

O que o Brasil realmente faz com café

O Brasil é o maior produtor de café do mundo desde meados do século dezenove, e não por pouco. Cerca de um terço do café mundial sai de lá, o que quer dizer que, seja lá o que você tomou hoje de manhã, parte dele provavelmente era brasileira mesmo que nada na embalagem dissesse isso.

As condições de cultivo empurram a safra numa direção específica. Boa parte é processada por via seca, ou seja, a cereja fica sobre o grão enquanto ele seca ao sol em vez de ser lavada antes. Esse contato faz algo específico: leva a xícara para o chocolate, as castanhas e o corpo, e a afasta da acidez frutada afiada pela qual um etíope ou um queniano lavado é valorizado.

É por isso que o café brasileiro é a espinha dorsal de tantos blends de espresso e por isso é tão frequentemente descrito, com certa injustiça, como o seguro. Pouca acidez, corpo pesado, doce. Isso não são defeitos. São o que fazem dele o café que se pode beber em quantidade, que é exatamente como o Brasil bebe.

Coado, o método que o país usa de fato

O método doméstico brasileiro é o coado, passado por um coador de pano preso num aro de madeira ou de arame sobre uma jarra. A água quente entra devagar, a gravidade faz o resto, e o pano segura o pó e a maior parte dos óleos.

O que sai é limpo e transparente de um jeito que nenhum espresso é. Dá para ver através. Como a água fica em contato com o pó por uns dois minutos em vez de vinte e cinco segundos, a extração é outra, e como nada está sob pressão não há crema nem óleo emulsionado para carregar peso na língua. O resultado tem mais gosto do café e menos da máquina.

É servido como cafezinho, xícara pequena, quase sempre adoçado, e é oferecido o tempo todo. Num escritório, numa loja, na casa de alguém, a xicrinha chega sem ser pedida. Está mais perto, na função social, de um café grego do que de um espresso, e essa é a parte que a maioria dos visitantes não percebe.

Três jeitos de não usar máquina

Vale colocar os três lado a lado, porque são bebidas genuinamente diferentes e quase todo mundo só comparou duas.

O café grego guarda tudo. O pó entra no briki junto com a água e fica na xícara, e por isso o último centímetro não se bebe. É espesso, e a textura faz parte do ponto.

O coado tira tudo. O pano é mais fino que o papel e retira o pó e boa parte do óleo, deixando uma xícara clara sem nenhum sedimento. O espresso é o terceiro caminho por inteiro: pressão, nove bares, empurrados por uma pastilha compacta em meio minuto, o que emulsiona os óleos e produz algo concentrado e pesado. Três métodos, um grão, três bebidas que quase não têm nada em comum.

O que tem na nossa lista, e quando

O café coado brasileiro fica no topo, e abaixo dele a lista é francamente ateniense: café grego e duplo, espresso e duplo, americano, cappuccino, latte e, sim, Nescafé, porque fingir o contrário seria pose. No lado frio há freddo espresso e freddo cappuccino, porque isto é Atenas e se recusar a servir um freddo seria um ato de hostilidade.

O salão abre às oito da manhã e a cozinha começa uma hora depois, então existe uma janela no começo do dia em que o café é realmente tudo o que há. Aquela hora no terraço, antes de o serviço de brunch começar e antes de a praça acordar de verdade, é o melhor momento para o coado, porque você não tem mais nada para fazer enquanto ele passa.

Se você vai comer, ele também funciona na outra ponta. Um coado depois de algo da grelha faz o que um espresso não faz, que é durar mais de quatro segundos. Peça com alguma coisa do lado das sobremesas do cardápio, ou sozinho à tarde, quando o salão está calmo e ninguém vai te tirar da cadeira.

Perguntas frequentes

Vocês servem café brasileiro?
Sim. O café coado brasileiro é o primeiro item da lista de cafés, ao lado do café grego, do espresso, do cappuccino, do americano e dos demais. É feito por infusão e não por pressão, então leva uns dois minutos.
O que é coado?
O método brasileiro de filtro: água quente passada devagar por um coador de pano sobre uma jarra. O pano retira o pó e quase todos os óleos, então a xícara fica clara e limpa em vez de concentrada e pesada.
Qual a diferença para o café grego?
O café grego mantém o pó na xícara e é espesso, com um sedimento que não se bebe. O coado retira tudo e deixa uma xícara transparente. Mesmo grão, resultados opostos.
Vocês têm freddo?
Sim, freddo espresso e freddo cappuccino estão os dois na lista fria, junto com frappé, chocolate gelado e milkshakes. Isto é Atenas.
Que horas posso ir tomar café?
O salão abre às oito da manhã, uma hora antes da cozinha. Essa primeira hora é um bom momento para o coado, porque não há mais nada apressando ele.
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